Tweets

    Portugese Vogue, September 2010, full interview


    TESTEMUNHO

    Dar a outra Face

    Com a série de fotografia documental Without a Face, Izabella Demavlys denuncia os ataques brutais com ácido que vitimizam centenas de paquistanesas. Assim constatou que a beleza não está na forma, mas no conteúdo. Por Manuel Arnaut



    Depois da sobrevalorização da imagem, a sociedade refugiou-se no conceito de beleza interior como antídoto para a falta de profundidade dos tempos modernos. Esta excelência que brilha de dentro foi usada e re-usada como um sapato velho, e até o conceito virar cliché foi um pequeno passo. Se não há coincidências, tem-se observado o aumento de interesse em trabalhos que cruzam a actualidade com a arte, para voltar a credibilizar o predicado. A série documental Without A Face, da sueca Izabella  Demavlys, é uma dessas armas de terapia de choque, que nos faz descer à terra e colocar as aparências numa balança de valores.

    Com trinta e dois anos, Izabella passou pela Austrália, e foi na conceituada escola de Moda Parsons The New School for Design, em Nova Iorque, que terminou os seus estudos. Iniciou uma promissora carreira como fotógrafa de Moda, com trabalho publicado em diversas publicações do meio, e a produzir imagens de rara beleza. Apesar de bonitos, os quadros criados em situações artificiais pareciam vazios de sentido. E com a falta de conteúdo veio a insatisfação. “Andei durante vários anos em círculos, na procura da minha voz na Moda. Subitamente, apercebi-me que não era a minha vocação. Não estava a alterar nenhuma perspectiva ou comportamento. Não sentia que o meu trabalho fosse inspirador e não marcava nenhuma posição relevante”.

    No pico do tédio, o destino de Izabella cruzou-se com a história de uma jovem paquistanesa, técnica de beleza, vítima de um violento ataque com ácido, causado por um desamor. “Pensei no momento: ‘tenho de conhecer esta pessoa’”, admite. Motivada pela história trágica, decidiu encarar o risco de frente e, no Inverno do ano passado, viajou até ao país. “Se se quer evoluir, tem de se arriscar. Como é normal, a minha família ficou muito preocupada. Os próprios locais ficavam espantados ao verem uma jovem sozinha, apenas com uma máquina fotográfica”, recorda ao telefone.

    Chegada ao Paquistão,  o choque cultural foi tremendo e aconteceu no segundo em que pôs o primeiro pé em terra. “Cheguei por volta das quatro da manhã e tive de me cobrir com um pano. É avassalador assistir à separação que existe entre os sexos”. Atrelada à desigualdade, veio a aproximação à realidade trágica que a levava àquele país. “Nos últimos anos, têm sido conhecidos cada vez mais casos de ataques com ácido. Estes ataques são comuns no Paquistão, na Índia, no Bangladesh, assim como noutros países do sul da Ásia. O atacante é geralmente um membro da família, um marido abusivo ou alguém à procura de vingança após um pedido de casamento não aceite. Noutros casos, é apenas um estranho, na rua. As vítimas são geralmente mulheres e, se não morrerem, ficam marcadas mentalmente e fisicamente para toda a vida”.

    Para chegar junto das vítimas, Izabella investigou até encontrar uma ONG que se dedica à ajuda do financiamento de cirurgias reconstrutivas. Com a organização a servir de ponte, devido à delicadeza da situação, começou por tentar construir laços de confiança com estas mulheres, para que permitissem ser fotografadas. “Muitas trabalham em institutos de beleza. Ao início, visitava-as para que me cortassem o cabelo ou arranjassem as mãos”, revela. “Não sabia para onde deveria olhar. Tinha vergonha só de querer fazê-lo. Ainda se preocupavam em usar batom e ter o cabelo arranjado para a câmara, mas nunca tinha visto nada assim. Depois de me acostumar às suas caras cheias de cicatrizes, fui tomada pelas suas histórias de coragem”.

    Ao contrário do que acontecia quando andava à deriva pelo mundo da Moda, os relatos de pessoas como Raffat -uma jovem de 17 anos, queimada pelo primo enquanto dormia, a nove dias do seu casamento- fazem com que Izabella se sentia finalmente envolvida pelo seu trabalho. “Chorei com elas enquanto ouvia as suas histórias tão emotivas”. Mas mais do que um sentimento de realização egoísta, aprendeu uma lição de vida, que tenta transmitir com as poderosas imagens que produz: “É claro que estas mulheres são vítimas. Não lhes quero tirar isso. Mas tento sublinhar que, num certo momento, num mundo em que a beleza é algo que carregamos no rosto, quiseram prosseguir com as suas vidas. Uma destas pessoas disse-me: ‘não quero que tenham pena de mim. Agora só quero ganhar a minha vida. Toda a gente sonha em ser bonita, mas acredito que a verdadeira beleza vem do interior’”.

    Izabella Demavlys prepara-se para apresentar o resultado da sua passagem de dois meses pelo Paquistão no Women’s International Art Festival, realizado entre 7 e 17 de Outubro, na Síria, e também na exposição Magenta’s Flash Forward 2010 Emerging Photographers, de 6 a 10 de Outubro, no Canadá. Com o devido distanciamento, a fotógrafa volta a sublinhar que “só temos a aprender com estas mulheres”. Há que saber relativizar e não acreditar que estamos às portas do fim do mundo porque esgotaram aqueles Jimmy Choo que queríamos mesmo comprar. “Devemos ouvir estes relatos e ser mais agradecidos com as vidas que levamos. Comiseração e queixas constantes sobre a nossas existências confortáveis é algo que deixei de conseguir tolerar. Esta foi uma das grandes mensagens que me deixaram estes rostos marcados”.


    New Turn Magazine 2011

    Galleri Korn

    Auction Night @ Galleri Korn, feb 1, Stockholm !

    Auction night @ Galleri Korn, wednesday, feb 1, 6-9ish pm, Stockholm

    Hornsgatan 147, t-bana Hornstull

    Proceeds from the sale of my images will help to fund my documentary film about acid and burn victims in Asia and Africa, 2012-13

    2011 ended great and 2012 started even better, thanks for all the kind emails and support! ♥


    [Flash 10 is required to watch video]

    Helen Levitt, Urban Lyrics, Fotografiska Stockholm

    Read full article on —> Women’s Worldwide Web

    Flash Forward 2010 Group Show Featured Exhibition

    Emerging Photographers from Canada, the UK and the USA

    Fairmont Battery Wharf, Boston, 2-12th June, 2011


    International Women’s Day, Marie Claire UK, March, 2011


    —> Der Greif Fotomagazin

    Back to top